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Falso

Falso cônsul que já recebeu homenagem da Câmara de Vereadores de Teresina é preso em Salvador

Adailton Maturino dos Santos responde ação penal no Piauí.

20/11/2019 10h17
Por: Redação
Fonte: GP1

Preso pela Polícia Federal na manhã de ontem (19) em Salvador/BA, no âmbito da Operação Faroeste por supostamente participar do esquema de venda de decisões no Tribunal de Justiça da Bahia, o empresário Adailton Maturino dos Santos é velho conhecido da Justiça piauiense onde responde ação penal acusado de formação de quadrilha e corrupção ativa.

O empresário e mais dois advogados foram presos em 19 de novembro de 2014 pelo Grupo de Repressão ao Crime Organizado – Greco acusados de pagar propina para uma faxineira que prestava serviços de limpeza na Corregedoria Geral de Justiça em troca de um processo administrativo que comunicava irregularidades em procedimento em tramite na 2ª Vara Cível da Comarca de Teresina/PI. As prisões foram convertidas em preventivas em 21 de novembro de 2014.

Adailton Maturino foi solto no dia 16 de dezembro de 2014 pelo juiz Luiz de Moura Correia, da Central de Flagrantes, sob o compromisso de não se ausentar da Comarca de Teresina ou mudar de endereço sem prévia comunicação.

A ação penal corre na 1ª Vara Criminal de Teresina/PI.

Falso cônsul recebeu titulo de Cidadão Teresinense

Quase quatro anos após ser preso, o empresário voltou a Teresina, em 2018, para ser homenageado pela Câmara Municipal com a concessão de título honorifico de ‘Cidadão Teresinense’, através de proposição de autoria do vereador Aluísio Sampaio (Progressista). A honraria se justificava “pela especial atenção que [Adailton Maturino] tem dispensado a cidade de Teresina envidando esforços no sentido de instalar o Consulado de Guiné Bissau”.

Na extensa justificativa, o vereador citou as muitas qualidades do ‘cônsul’, dentre elas, aptidão para administrar no sentido de planejar estrategicamente as ações, mediar crises, articular acordos e incentiva a busca de soluções.

A justificativa também apontava que Adailton Maturino era Doutor Honoris Causa de Gestão de Direitos Humanos e tinha indicado o advogado piauiense Juarez Chaves Júnior como vice-cônsul da Guiné Bissau.

O consulado da Guiné Bissau a ser instalado em Teresina, dizia Aluísio Sampaio, “seria a primeira estrutura diplomática da história do Piauí, ferramenta importante para colocar nosso Estado e nosso Município no cenário internacional, melhorando a imagem de nossa cidade de forma a trazer investimentos estrangeiros, contribuindo consideravelmente a geração de emprego e renda”.

A proposição foi aprovada por unanimidade e o Decreto Legislativo publicado no Diário Oficial do Município de Teresina em 07 de agosto de 2018.

Prisão na Bahia

A Operação Faroeste cumpriu quatro mandados de prisão temporária e 40 mandados de busca e apreensão em gabinetes, fóruns, escritórios de advocacia, empresas e nas residências dos investigados.

Segundo os investigadores, existe um esquema de corrupção que envolve magistrados e servidores do TJ-BA, advogados e produtores rurais que atuavam juntos na venda de decisões para legitimar terras no oeste baiano.

Os mandados de prisão foram expedidos contra Adailton Maturino dos Santos e sua esposa, a advogada Geciane Souza Maturino dos Santos; o advogado Márcio Duarte Miranda; e Antônio Roque do Nascimento Neves, assessor do desembargador Gesivalo Britto.

MPF diz que falso cônsul tem 13 CPF´s em seu nome

O Ministério Público Federal (MPF) faz uma série de acusações contra Maturino, que vão de falsidade ideológica, até suspeita de queima de arquivo e aponta que o falso cônsul possui 13 (treze) CPF´s em seu nome e possui apenas uma carteira de estagiário da OAB, que atualmente está cancelada.

Maturino é acusado de ter relação com José Valter Dias, um borracheiro que se tornou grande latifundiário de forma repentina e afirmava ser dono de área equivalente a cinco vezes o tamanho de Salvador.

O Ministério das Relações Exteriores informou que o Governo Brasileiro não designou Adailton e nem sua esposa, Geciane Souza Maturino dos Santos como agentes diplomáticos ou consulares do país africano.

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